4ª Etapa – Pamplona a Puente de la Reina7 min read

A etapa entre Pamplona e Puente  de la Reina é muito bonita, principalmente quando o tempo ajuda. Em 2009 eu não dormi em Pamplona, então saí de Cizur Menor e fui direto até Cirauqui. Gostei muito de ter esticado um pouco a etapa anterior, pois tive tempo (e disposição) para ir até Eunate. Um dia quero repetir esta experiência! Já nas outras vezes fiquei em Pamplona mesmo, seguindo as etapas descritas nos guias.

Este trecho é fascinante, pois passa pelo Alto del Perdón e outros lugares encantadores, com curiosas lendas e histórias. Se o terreno estiver seco na subida, você vai achar a descida mais difícil. Isto porque a descida é cheia de pedras soltas, precisa ter muito cuidado para não escorregar, o que torna a caminhada um pouco mais lenta. A subida, quando chove, torna-se um caminho de barro, pessado para andar.

Escultura de ferro no Alto del Perdón

Escultura de ferro no Alto del Perdón, com os dizeres “donde se cruza el camino del viento con el de las estrellas”

Quando chegar ao topo do Alto del Perdón você encontrará a famosa escultura em ferro feita em homenagem aos peregrinos. Nela tem os famosos dizeres “donde se cruza el camino del viento con el de las estrellas“. A vista lá de cima é linda. Costuma ventar muito, isto justifica as diversas usinas eólicas alinhadas no alto dos montes. Aproveite este belo lugar para descansar e curtir um pouco a paisagem.

Depois do Alto del Perdón você vai passar por alguns pueblos, separados por poucos quilômetros. O primeiro é Uterga, que tem um bar (restaurante) muito bom. Não sei se ainda usam, mas os funcionários deste bar tinham um “uniforme” que me chamava a atenção. Era uma camiseta com os dizeres “você está em Uterga, Puente de la Reina fica a 7km” (ou algo parecido). Uma forma criativa de tentar evitar as perguntas mais frequentes dos peregrinos: “qual o nome deste pueblo? Faltam quantos quilômetros para Puente de la Reina?”. 🙂

Saindo de Pamplona

Na saída de Pamplona temos vários lugares para tomar o café da manhã. Eu gostei especialmente de um lugar, a Taberna Panaderia, na Calle Mayor 24, mas tem vários outros lugares bons. Pode perguntar no albergue também, que eles sempre indicam.

Logo que saímos do Centro Histórico passamos ao lado de um parque, depois contornamos a Cidadela de Pamplona e  vamos até a Universidade de Navarra. Assim que saímos da Universidade passamos por uma pequena ponte sobre o rio Sadar. Dali até Cizur Menor são cerca de 1800 metros, com uma subida no final.

Em Pamplona, o Caminho de Santiago é bem sinalizado, mas precisa prestar atenção!

Em Pamplona, o Caminho de Santiago é bem sinalizado, mas precisa prestar atenção! Nesta foto vemos a flecha discretamente colocada neste prédio de esquina.

Todo o Caminho em Pamplona é bem sinalizado, mas é bom prestar atenção. Tem as flechas amarelas, porém algumas vezes não as vemos facilmente apesar de estarem lá. Há também marcas no chão, com vieiras desenhadas no metal. Já aconteceu de eu me distrair e ir para o lado errado, mas logo alguém gritou “peregrino!” e indicou o caminho certo. É comum os locais colocarem um peregrino perdido na rota correta. 🙂

Cizur Menor a Uterga

Como o trecho até Cizur Menor é um pouco cansativo por ser boa parte urbano, você pode aproveitar para recuperar o fôlego ali. Mas recomendo fazer isto somente em Zariquiegui, que fica a menos de 2km do topo do Alto del Perdón, para não perder muito tempo. Até 2009 não tinha nada em Zariquiegui, depois foi melhorando a estrutura e agora tem bares e albergues. Deve ser bem interessante dormir lá e chegar no topo bem cedinho!

Placa indicativa de distâncias - Alto del Perdón

Placa indicando as distâncias no topo do Alto del Perdón

A subida é contínua e relativamente leve. O pior é o pedaço entre Zariquiegui e o Alto del Perdón. Mas nada demais, principalmente para quem já cruzou os Pirineus. Única ressalva é que se o tempo não estiver seco terá muito barro na subida. Aí sim ficará cansativo, pois é barro mesmo, daqueles em que o pé afunda e a bota gruda no chão.

Pouco antes do topo, tem a Fuente de la Reniega. Há uma lenda sobre esta fonte que vale uma paradinha ali. Depois é só andar mais alguns metros e apreciar a bela paisagem! Ao sentir-se pronto, é só descer (novamente: com cuidado!) e caminhar até Uterga. Ali tem mais uma importante decisão para o peregrino: parar ou não parar para descansar? 🙂 O “bar” que eu falei no começo deste texto fica neste pueblo. É onde eu gosto de parar, nem que seja para tomar um suco e usar o banheiro. O nome é Camino del Perdón (restaurante, hostal e albergue). Ele fica na Calle Mayor, logo após a primeira curva que tem depois do ayuntamiento (prefeitura).

Uterga a Puente de La Reina

Uterga é o primeiro pueblo depois do Alto del Perdón. Faltam cerca de 7 quilômetros para chegar ao fim da etapa. Em seguida virão Muruzábal, Obanos e finalmente Puente de La Reina, separados por 2700, 1800 e 2700 metros, respectivamente. Deixei este trecho separado porque aqui tem um “detalhe” no trajeto. Você já estará um pouco cansado, louco para chegar no albergue e descansar. Mas terá uma importante decisão a tomar!

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Eunate, Um Desvio Imperdível

Ermita de Santa Maria de Eunate, perto de Puente de La Reina

Ermita de Santa Maria de Eunate, em 2009

Em Muruzábal tem um desvio que leva até a Igreja de Santa Maria de Eunate. Esta Igreja fica no Caminho Aragonês, pouco antes da junção com o Caminho Francês. Os dois caminho se encontram em Obanos (apesar de alguns guias apontarem como sendo em Puente de la Reina). O desvio vai aumentar seu trajeto entre Muruzábal e Obanos em 3 quilômetros aproximadamente.

E por que ir até este lugar? Conhecida como Ermita de Santa Maria de Eunate, há uma teoria que diz que ela foi construída pelos templários. Alguns afirmam que ela fica no cruzamento entre duas correntes telúricas e por isso há muita energia no local. Sua localização isolada aumenta ainda mais sua espiritualidade. Há também uma curiosa lenda sobre a construção desta igreja, conhecida como a Lenda dos Pórticos Gêmeos. Ao ler sobre esta lenda terá um pouco mais de vontade de conhecer a Ermita de Eunate, portanto, clique no link! 😉

A construção é muito interessante e repleta de mistérios. Com símbolos esculpidos por todos os lados, é um lugar que vale a pena perder um tempinho. Contando que você vai querer observar bem todos os detalhes, orar e descansar um pouco, o desvio deve aumentar em uma hora e meia o tempo até Puente de La Reina.

Puente de La Reina e A Igreja do Crucifixo

Ponte que deu nome à Puente de la Reina, Navarra

Esta é a ponte que deu nome à Puente de la Reina

Depois de Obanos, Puente de la Reina. O trajeto é bem tranquilo, sendo uma descida leve na saída de Obanos. Ao chegar em Puente de la Reina, passará primeiramente pelo Hotel/Albergue/Restayrabte Jakue. É o primeiro albergue e fica a cerca de 600 metros da entrada da cidade. Se você decidir ficar neste albergue, não deixe que o cansaço te impeça de ir conhecer o Pueblo. Logo depois destes 600 metros terá o Albergue de Peregrinos de los Padres Reparadores. Um bom albergue, e é o primeiro depois do Jakue.

No meu primeiro Caminho, como eu havia pernoitado em Cizur Menor, passei direto por Puente de La Reina e fui até Cirauqui, dois pueblos para a frente. Porém, saiba que há uma pesada subida depois de Puente de la Reina. Digo pesada para quem já está cansado por ter passado o dia caminhando e ainda ter cruzado o Alto del Perdón, não para quem vai subir no começo do dia! 🙂

Aproveite Puente de la Reina e conheça a Iglesia del Crucifijo, onde há o Cristo na cruz em forma de pata de oca. Falo sobre isto no artigo sobre o Jogo da Oca. Não deixe também de andar um pouquinho mais e ir até a ponte que dá nome à cidade. Há também uma bela rua (um passeo) com alguns bares e restaurantes na rua paralela à Calle Mayor, à esquerda de quem caminha em direção à ponte. É o Passeo Los Fueros. E principalmente, não deixe de descansar, pois a caminhada do outro dia será um pouco cansativa!

Buen Camino!

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