22ª etapa – San Martín del Camino a Astorga

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Ir de San Martín del Camino a Astorga é um pouco cansativo, principalmente por não ter muita sombra. Outro motivo é que ainda tem um trecho ao lado da rodovia. Mesmo sendo somente 23,7 quilômetros de caminhada, é um trecho um pouco puxado.

Além disso, terão partes do trajeto com subidas. Apesar delas não representarem um grande desafio a ser vencido, são subidas. Talvez você não perceba muito na hora, mas no fim do dia o corpo estará mais cansado que no dia anterior.

Astorga, o destino de hoje, é uma cidade muito bonita, pequena e tranquila. Vale muito a pena sair um pouco do albergue para conhecê-la. Por isso chegar cedo é uma grande vantagem, neste caso.

Mas vamos à descrição desta etapa que já não é mais monótona, como as dos dias dias anteriores.

San Martín del Camino a Santibáñez de Valdeiglesias

A saída de San Martín del Camino não tem segredo, é só sair do albergue e continuar em frente, continuando o caminho que estava fazendo no dia anterior. No fim do pueblo você vai andar cerca de 100 metros pelo acostamento (lado direito da rodovia) e já vai ver uma plaquinha indicando um desvio.

Poucos metros para a frente e estará novamente ao lado da rodovia, porém em uma trilha feita para os peregrinos. Muito mais seguro que caminhar no acostamento.

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Ainda terá um outro desvio como este, de poucos metros, onde você andará longe da rodovia

A N-120 será sua companheira por pouco mais de 5 quilômetros, quando você entra na Calle el Paso Honroso a caminho de Puente de Órbigo (km 6,8).

Foto da ponte de pedra que separa Puente de Órbigo e Hospital de Órbigo
A famosa ponte de pedra que separa Puente de Órgigo e Hospital de Órbigo.

Mais 800 metros nesta rua de terra e você estará no pueblo, que fica praticamente às margens da rodovia LE-6419. Como você cruzará esta rodovia, quase não verá cidade.

Hospital de Órbigo

Depois de mais ou menos uns 100 metros de cidade, você estará na ponte que cruza o rio Órbigo. Esta é a famosa ponte da lenda de Don Suero de Quiñones. Leia sobre a história dele, no artigo sobre El Paso Honroso, aqui no blog. É muito interessante!

Logo depois da ponte, que tem extensão aproximada de 300 metros, você estará em Hospital de Órbigo no km 7,3.

Este lugar tem este nome porque existia aqui um hospital de peregrinos, fundado pela ordem dos Cavaleiros de São João de Jerusalem.

Escolhida por muitos como fim de etapa, nesta localidade você vai encontrar mais estrutura que San Martín del Camino. Uma das razões pelas quais muitos peregrinos preferem andar mais 7 quilômetros, aproximadamente, no dia anterior.

Foto da entrada do albergue paroquial de peregrinos de Hospital de Orbigo
Albergue paroquial de peregrinos de Hospital de Órbigo

Um outro motivo é ter que caminhar uma distância menor para chegar em Astorga, sobrando assim mais tempo para explorar a cidade.

Hospital de Órbigo a Santibáñez de Valdeiglesias

Depois da ponte você vai seguir reto, sempre andando na Calle Álvarez Vega, até cruzar a rodovia LE-420 (cuidado!). Depois dela a rua passa a se chamar Calle de Santiago, mas você continuará seguindo em frente.

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Você continuará nesta rua até praticamente o fim do pueblo, onde terão duas opções de trajeto: em frente ou à direita.

Seguindo em frente o caminho é um pouco mais curto, porém você vai caminhar sempre ao lado da rodovia e não vai passar por pueblos, o que torna o caminho mais monótono e cansativo. Recomendo ir pela direita, o que vai aumentar em uns 2 quilômetros a sua caminhada. Porém vale bem mais a pena!

Deste ponto serão 2 quilômetros até Villares de Órbigo (justamente os dois quilômetros a mais). Este é outro pequeno e simpático pueblo que tem albergue, farmácia, mercadinho e fontes de água. Bem menor que Hospital de Órbigo, mas ótimo para descansar.

Foto do albergue de Villares de Órbigo.
O albergue de Villares de Órbigo é muito bom.

A próxima aldeia estará a 2,4 quilômetros, Santibáñez de Valdeiglesias (km 12,2). Você vai encontrar algumas subidas no caminho, mas pouca coisa.

Antes de chegar neste lugar você andará um pouco sobre o asfalto da rodovia LE-6451, mais ou menos 1 quilômetro. Esta estrada em nada se parece com a N-120, pois tem pouquíssimo tráfego. Porém, obviamente, sempre é preciso ter cuidado. E lembre-se, peregrinos sempre devem andar pela esquerda!

Depois de andar alguns metros dentro deste pueblo você encontrará uma fonte. Será fácil identificá-la, pois fica no fim de uma escada para baixo e tem um cercado em volta, praticamente no meio da rua.

A próxima parada ainda está longe, então abasteça-se de água. Até porque o sol já deve estar mais forte e as sombras são escassas no trajeto.

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Este pequeno vilarejo tem albergues e lugares para você comer algo. Talvez seja uma boa ideia parar para descansar, pois já está praticamente na metade do trajeto do dia.

Santibáñez de Valdeiglesias a Astorga

A saída de Santibáñez de Valdeiglesias já é uma subida. E assim vai por um tempo, por cerca de 6 quilômetros. Aliás, sobe e desce, sobe e desce, mas no fim das contas, mais sobe que desce.

Se prepare, este trecho vai exigir um pouco mais de suas pernas. Mas, o bom é que quase todo o trajeto é feito em estradas de terra, muito melhor para caminhar do que ao lado da rodovia.

Quando chegar quilômetro 13,6, você vai passar por uma cruz. Ao seu lado terá um espantalho que, muitas vezes, está vestido de peregrino. Depois disso você seguirá em frente até até chegar à parte mais alta (e plana) do trecho.

Na foto há um espantalho vestido de peregrino e uma mesinha atrás dele. Também aparece uma cruz e um peregrino passando no Caminho, que passa ao lado da cruz. Isso fica pouco depois de Santibánez de Valdeiglesias.
A Cruz e o espantalho peregrino, pouco depois de Santibánez de Valdeiglesias.

Será nesta parte plana encontrará la Casa de los Dioses (a Casa dos Deuses) – km 17,2.

La Casa de los Dioses

Um jovem chamado David, nascido em Barcelona, decidiu dedicar a sua vida aos peregrinos, ajudando-os como podia. Estabeleceu-se em uma antiga casa de fazenda abandonada.

Em um carrinho de sorvetes restaurado ele oferecia frutas, sucos e água aos peregrinos , sem pedir nada em troca. Obviamente quem tinha condições deixava um donativo para que ele pudesse repor os produtos e continuar ajudando outros peregrinos.

No entanto, foi dada a notícia que David estava decepcionado com os rumos que o Caminho de Santiago de Compostela estava tomando – perdendo sua característica espiritual – e resolveu fechar a Casa de los Dioses.

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Esta foi a última notícia que tive sobre este lugar. Se alguém souber se ele continua lá, por favor me avise para eu atualizar o blog!

A Cruz de Santo Turibio

Depois de passar pela Casa de los Dioses, você vai caminhar mais 1.6 quilômetro e vai chegar na Cruz de Santo Turibio, no km 18,8. Neste local vai ter mesas e bancos para descansar um pouco. Uma boa pedida, ainda mais com a linda vista que terá de San Justo de la Vega e Astorga.

A foto mostra uma cruz de pedra e, ao fundo, as cidades de San Justo de la Vega e Astorga.
Esta é a Cruz de Santo Turíbio, onde tem mesas e bancos para descansar e aproveitar a bela vista de San Justo de la Vega e Astorga.

Também poderá ver o monte mais alto da província de Léon, o monte Teleno, com 2.188 metros de altitude. A impressão é de que “Astorga é logo ali”, mas ainda faltam bons 5 quilômetros (aproximadamente).

Pelo menos, chega de subidas! Aliás, é o contrário, boa parte será descida. Ou melhor, nada mais de subidas até chegar em Astorga… mas já já eu falo sobre isso.

San Justo de la Vega

Depois da Cruz de Santo Turibio começa uma grande descida, numa calçada que chega ao asfalto. Ao terminar a descida vai encontrar uma estátua de um peregrino (km 19,3), que é também uma fonte de água.

O interessante desta fonte do peregrino é que, se você abrir a torneira para pegar água ela primeiro passa pelo cantil do peregrino e então cai na boca dele. Ou seja, você vai pegar água e o peregrino também bebe um pouco. Ótima ideia de quem criou a fonte!

Continuando em frente você vai chegar em San Justo de la Vega, uma cidadezinha pequena e simpática. O caminho segue pela calçada ao longo da estrada, que cruza a cidade pelo meio.

Depois que você sair da cidade, você vai passar por uma passarela de ferro por cima do rio Tuerto. A passarela fica ao lado da ponte de pedra, por onde passam os carros.

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Pouco depois você vai pegar um desvio à direita e vai caminhar por uma pequena estrada de terra, paralela à rodovia N-120. Mais 1,7 quilômetro e você cruzará o que um dia foi a N-120 (foi feito um desvio da estrada pouco antes desta parte).

Quando este pedaço da estrada foi desviada, foi criada uma passarela para pedestres cruzarem a linha de trem. Assim que passar a passarela você estará praticamente chegando em Astorga. Falta menos de 1 quilômetro para chegar no Albergue.

Chegando em Astorga

Depois da passarela você vai andar 400 metros até uma rotatória. Um pouco depois da rotatória você estará no começo da cidade, já encontrará algumas casas.

É aí que você inicia a última subida do dia! Serão cerca de 200 metros de subida, um desnível de mais ou menos 15 metros. Quando a gente olha para cima, bate um desespero. Mas como é o fim da etapa, respira fundo e vai.

A foto mostra a escultura de um peregrino, em bronze, e o albergue Siervas de Maria, de Astorga, no fundo.
A escultura de um peregrino, na frente do albergue Siervas de Maria, em Astorga.

O albergue Siervas de Maria, municipal, fica bem no fim da subida. É um ótimo albergue, por sinal! Tendo vaga, pode ficar aí tranquilamente!

Astorga

A cidade é dividida em parte alta e parte baixa. O centro histórico fica na parte alta, da mesma forma que o albergue. Há outros albergues, mas não tenho certeza se são todos na parte alta. Porém recomendo tranquilamente o Siervas de Maria (o da entrada), mesmo sem conhecer os outros.

A cidade tem excelente estrutura, lojas, mercado, farmácia, correio, etc. O que não falta são bares e restaurantes. Tem também várias coisas para conhecer, tudo a poucos metros do albergue. Astorga é uma cidade linda e calma, um ótimo lugar para conhecer e descansar.

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Seguindo na rua que fica em frente ao albergue, você vai chegar na Plaza España, onde está o ayuntamiento (prefeitura). Uma bela Praça com bares e restaurantes.

Continuando em frente, pelo lado direito da praça, você chegará à Plaza del General Santocildes. Esta praça é grudada à anterior. No lado esquerdo dela tem um mercado grande, no fim da praça. Lá você poderá comprar itens para fazer o seu jantar, se quiser.

A foto mostra a prefeitura de Astorga, na praça Espanha e várias mesas com guarda-sois na frente dos bares que existem ali.
O Ayuntamiento de Astorga, na Praça Espanha.

Se você seguir em frente pelo lado esquerdo da Plaza España, entrará na Calle Pío Gullón, onde tem a Chocolateria Sonrisas e, uns 50 metros para a frente, do lado direito, o restaurante La Paloma. Só comi uma vez neste restaurantes, mas gostei muito. Das outras vezes preparei a refeição no albergue, aproveitando a boa cozinha e o mercado que mencionei. Já na chocolateria aproveitei para pedir chocolate com churros… ninguém é de ferro, não é? rs

Um pouquinho de turismo

Não deixe de conhecer a Catedral de Santa Maria de Astorga. Se der tempo, visite o Palácio Episcopal (também conhecido com Palácio de Gaudi), um prédio projetado por Gaudi, que fica pouco antes da Catedral.

Ao lado do albergue (seguindo pela esquerda ao sair dele) tem um belo jardim, o Jardin de la Sinagoga, que tem uma vista muito bonita. Vale a pena passear por ali. Até porque fica a (bem) menos de 50 metros do albergue.

O Palácio Episcopal, também conhecido como Palácio Gaudi, por ter sido projetado por este arquiteto.
O Palácio Episcopal, conhecido também como palácio de Gaudi, em Astorga.

Também visite as lojas de souvenir e de chocolate da região, uma especialidade local. Prove as balas “de pedra”, você vai adorar. São balas em formato de pedra. Até colocar na boca você ficará na dúvida se realmente são balas e não pedras! 🙂

Prepare-se para o dia seguinte

Não caia em tentação! Mesmo que o albergue feche um pouco mais tarde, mesmo que a conversa esteja boa, mesmo que esteja empolgado com a cidade, durma cedo!

Descanse bastante, o dia seguinte não será dos mais fáceis: você vai subir a montanha! Mesmo a subida não sendo em nada parecida com as dos Pirineus, será uma subida constante.

Mas isso é conversa para a próxima etapa! Apenas saiba que precisa estar descansado.

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