Caminho de Santiago: 12ª Etapa – Atapuerca a Burgos10 min read

Esta etapa não é das mais difíceis, se pensar no relevo. Porém a entrada de Burgos é bastante cansativa devido ao longo trecho urbano. Além disso, no trajeto você passa pela área industrial. Mas, antes de tudo isso, vai poder apreciar uma belíssima vista de cima da Serra de Atapuerca. Isto se o tempo colaborar, claro! Serão 20,5 quilômetros, com um morro já no início. Em compensação, depois deste morro é só descida e terreno praticamente plano.

Aconselho chegar cedo em Burgos para dar tempo de conhecer um pouco a cidade. Visitar a Catedral de Burgos é quase uma obrigação! No primeiro Caminho eu não consegui visita-la, ficou uma sensação forte de perda. Havia chegado tarde, precisava lavar minha roupa, comer e tentar achar uma jaqueta para comprar. Tinha saído de Villafranca Montes de Oca e fui direto a Burgos. Um trecho muito longo e cansativo (atravessei os Montes de Oca e a Serra de Atapuerca no mesmo dia, não faça isso!). Ainda bem que tive outras oportunidades de conhecer a famosa e bela Catedral! Dentro dela está a sepultado El Cid, o famoso herói espanhol (leia o artigo sobre ele).

Abrindo um parêntese para explicar o motivo de precisar de uma jaqueta: disseram-me, no Brasil, que em abril e maio não fazia tanto frio, aliás, falaram  que fazia que calor. Eu acreditei. Foi aí que aprendi que nem sempre quem dá informações sabe do que está falando, por melhor que seja a intenção. Ainda mais quando a pessoa só foi uma vez para o Caminho. Como sempre vou entre abril e maio descobri que o clima é imprevisível, pode fazer muito calor, muito frio, muita chuva ou quase não chover. Além disso, atravessa-se o país, são 800 km! Claro que cada região tem seu microclima! A Galícia, por exemplo, é conhecida por chover muito. Outra coisa a respeito do clima na Espanha: eles tem um provérbio que diz “abril, chuvas mil” ou “em abril, águas mil” e não é por acaso. Em 2014 eu tive sorte e quase não peguei chuva, mas é bom sempre ir preparado se você for no começo da primavera.

Atapuerca a Villaval

Em Atapuerca tem uma panificadora e um restaurante muito bons. É só perguntar onde fica a panaderia, o restaurante fica bem perto. Nesta panaderia você pode tomar seu café da manhã e sair direto para o Caminho.

Cruz na Serra de Atapuerca quase coberta pela neblina

A vista de cima da Serra de Atapuerca é linda… se não houver neblina! Foto tirada às 7:30 da manhã.

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Para sair de Atapuerca usa-se a mesma estrada que entrou. Continua naquela rua até o fim do pueblo, cerca de 300 metros depois do albergue privado da entrada. Logo vai ver, do lado esquerdo, a placa indicando o caminho. Neste ponto o peregrino entra em uma estrada de terra batida. Assim que sair da carretera já começa a subida, leve no início, mais pesada a partir da metade, aproximadamente. Serão 2,5 quilômetros até o topo, e a diferença de altitude será de mais ou menos 120 metros. Eu considero que não é tão difícil, ainda mais por ser o começo do dia (para quem sair de Atapuerca). Neste trajeto há uma área militar bem demarcada ao lado do caminho. Nenhum problema, é só não entrar lá… rs.

Aproveite a vista!

Já na parte de cima do morro há uma cruz de madeira no km 2,3. Alguns metros para a frente você encontrará algumas espirais no chão, feitas com pedras. Continuando, depois de aproximadamente 250 metros tem uma placa (feita de ferro) com a seguinte mensagem: “Desde que el peregrino dominó en Burguete los montes de Navarra y vio los campos dilatados de España, no ha gozado de vista más hermosa como esta“. Realmente, a vista é linda. Pode ver Burgos, bem longe. Torça para não ter neblina quando passar por ali!

Placa com a frase de Luciano Huidobro, falando da vista da Serra de Atapuerca, onde pode-se ver Burgos

Frase de Luciano Huidobro, falando da vista da Serra de Atapuerca.

Neste ponto onde tem a placa começa a descida até o Vale do Rio Pico. Será um declive de cerca de 1,5 quilômetro, nada que exija muito esforço do peregrino, mas é bom ter cuidado, como sempre.

Vista do Caminho chegando a Villalval, descendo a Serra de Atapuerca, no Caminho de Santiago

Quase chegando em Villaval, depois de atravessar a Serra de Atapuerca.

No quilômetro 3,2 preste muita atenção! É para virar à esquerda! Esquerda!! Este ponto não era bem sinalizado, deixando os peregrinos em dúvida. Você tem a opção de ir pela direita, mas o caminho é mais longo e passa ao lado de Villaval, não por dentro do pueblo. Chegando na primeira construção de Villaval há uma discreta pedra com uma flecha amarela dizendo para ir para a direita. Preste atenção no chão, perto do muro. Andará poucos metros e vai virar à esquerda. Aí você estará ao lado de uma antiga e pequena igreja derrubada. Siga por esta rua, a Calle Real até o fim do pueblo. Caso erre o caminho e não vire à direita lá no começo do povoado, não se preocupe, só vai perder de ver a tal igreja.

Villaval a Orbaneja Riopico

Saindo de Villaval seguimos por uma estrada de asfalto até o próximo pueblo, Cardeñuela Ríopico. É uma estrada estreita, com pouco movimento, mas é bom ter muita atenção. Apesar de ter avisos, é bom que já saiba: na estrada, peregrinos devem andar sempre à esquerda. A distância entre os dois pueblos é de apenas 1,5 quilômetro. Você tem a opção de parar e comer aí ou ir até a próxima aldeia, Orbaneja Riopico, a 2 quilômetros. Eu prefiro ir até Orbaneja por estar mais próximo à metade do Caminho.

Ônibus com a propaganda albergue Via Minera - Caminho de Santiago

Um ônibus com cara de Kombi que é usado como outdoor de um albergue.

Até Orbaneja Riopico são 2 quilômetros pela mesma estrada, sem subidas ou descidas. Depois de passar por Villaval o terreno será sempre assim. Foi em Orbaneja que me ensinaram, em 2009, um caminho alternativo para ir até Burgos. Um espanhol me explicou que depois da ponte teria uma placa dizendo para seguir reto. Eu deveria virar à esquerda, pois se continuasse em frente passaria pelo polígono. Eu não tinha a mínima ideia do que era o tal polígono, mas percebi, pelo tom de voz, que não era algo bom… rs. Depois descobri que é a área industrial.

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Aproveite para descansar um pouco e comer em Orbaneja Riopico, caso não tenha feito isto antes. Não terá muitas oportunidades de parada até Burgos e é bom estar bem para enfrentar o trecho urbano. Na minha opinião os trechos urbanos das grandes cidades cansam muito mais que estradas ou trilhas.

Orbaneja Riopico a Burgos

Compartilhando o que aprendi: saindo de Orbaneja Riopico você passará por um pequeno viaduto por cima da rodovia. Algo como 300 metros depois da última casa (se não construíram outras depois!). Mas até a ponte não tem erro. Saindo da ponte, andará mais 200 metros e encontrará uma placa sinalizadora do Caminho de Santiago. A flecha diz para continuar em frente, pela direita. Se você quiser ir pelo alternativo, que dizem ser mais agradável, vire à esquerda! Logo em seguida terá uma bifurcação, vá pela esquerda novamente, será uma descida de terra. A partir daí é só seguir as placas e flechas amarelas. Mas nem tudo são flores!  Se tiver chovido nos dias anteriores, vai ter bastante poças de água e barro. Talvez neste caso seja melhor ir pelo outro trajeto, pois o piso será bem melhor.

Caminho alternativo para Burgos. A estrada de terra vira lama, cheia de poças de água. - Caminho de Santiago

A rota alternativa fica cheia de lama e poças de água depois de muita chuva.

Continuando: contando da placa que você “desobedeceu”, você vai andar 1,5 quilômetro até encontrar a cerca do aeroporto. Seguirá ao lado da cerca que define o perímetro de segurança. Serão mais 2 quilômetros até chegar a Castañares. Neste lugar vai ter um bar-restaurante também. E agora… outra importante decisão. Você pode seguir pelo Caminho de Santiago “oficial” ou pelo “alternativo”. O primeiro vai margeando a autoestrada até entrar em Burgos. Em Burgos, trecho urbano até o destino. Já a segunda opção vai por um bosque, longe da estrada, até perto da Catedral de Burgos. Os “puristas” do Caminho de Santiago desaprovam a segunda opção por não ser histórica. Porém ela vai ganhando cada vez mais adeptos por ser menos cansativa. E você, qual você vai escolher?

Indo para Burgos pelo caminho alternativo, também conhecido como “caminho do bosque”

Para seguir o Caminho de Santiago oficial basta seguir as flechas até burgos, por isto vou comentar sobre o alternativo. Ao chegar em Castañares, ignore as flechas que mandam virar à direita. Você seguirá reto, cruzando a rodovia. Claro que vai ter que fazer um pequeno desvio para atravessar pela faixa de pedestres (brasileiros, lá eles respeitam a faixa). Você vai seguir na continuação da rua onde estava. Um pouco para a frente vai ver algumas flechas amarelas indicando que é para seguir em frente, pintadas nos postes. São poucas, mas tem.

Uns 200 metros depois de atravessar a pista vai ter uma curva à direita, obrigatória (a não ser que você queira entrar na fábrica que tem lá). Andará 100 metros a contar da curva e terá um campo de futebol à sua direita. É só uma referência para ter certeza que está na rota certa. Mais 100 metros e vai ver, à sua esquerda, uma ponte para pedestres (sobre o rio Arlanzón). Cruze a ponte e siga sempre em frente. Você vai margear o rio Arlanzón até perto da Catedral de Burgos. O nome desta trilha, em espanhol, é paseo fluvial del río Arlanzón.

Los Gigantillos de Burgos, um casal simpático feito de papel machê que dançam nas festas de Burgos.

Eu com Los Gordillos de Burgos, um casal de papel machê que sempre dança nas festas de Burgos.

Chegando em Burgos

Chegando em Burgos, garanta seu lugar no albergue. Estou brincando, o albergue de Burgos é imenso, tem elevador, um refeitório muito grande e boas instalações para os peregrinos. Faça as obrigações de peregrino (“demarcar território” com o saco de dormir, tomar banho, lavar roupa, etc.) e vá conhecer um pouco a cidade. Para visitar toda a Catedral de Burgos os peregrinos pagam meia. Algo em torno de 3 euros. Vale muito a pena. Procure a Plaza Mayor e o Paseo Espolón, pertinho da Plaza Mayor. Tendo oportunidade, de uma volta no Chu Chu, o trenzinho turístico que sai da praça da Catedral. Não é caro e é uma oportunidade para passar por vários monumentos. Depois do jantar descanse bastante, pois o outro dia será um pouco puxado… mas isto é assunto para outro artigo!

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Por falar em jantar, não recomendo comer nos restaurantes da praça ao lado da Catedral. Além de serem um pouco mais caros, não gostei muito destes restaurantes. Mas há boas opções perto do albergue, é só dar uma volta na região que encontra.
Bem, aproveite Burgos ao máximo, pois no próximo dia começa um novo Caminho de Santiago. Explicarei isso melhor no artigo sobre a próxima etapa.

Buen Camino!

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One Response

  1. Monica 21 de março de 2017 Reply

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