El Cid Campeador, o grande Herói Espanhol6 min read

Ao chegar em Burgos é provável que você perceba que existem muitas referências a El Cid Campeador, um herói nacional da Espanha. Mas nós, não espanhóis, talvez não saibamos quem foi ele, e assim ficamos um pouco perdidos. Talvez este nome não lhe seja estranho, mas acredito que não se lembre ou não conheça bem a sua história. Pode ser que na sua memória tenha algo sobre um filme que assistiu há muito tempo, ou lembre-se deste nome das palavras-cruzadas, mas dificilmente algo além disso.

Como pesquisei um pouco sobre ele para matar minha curiosidade, resolvi compartilhar o que descobri. Afinal, o Caminho de Santiago fica muito mais interessante quando a gente conhece algo dos lugares por onde passamos. Como sua história mistura fatos reais, lendas e mitos, vou tentar me ater apenas uma das versões.

El Cid Campeador foi um herói castelhano que nasceu em Vivar, uma aldeia a cercado  de 10km ao norte de Burgos, capital do Reino de Castela. Mas contar somente isto me tornaria um pouco egoísta, pois este personagem tem uma história muito interessante.

El Cid - filme de 1961 com Sophia Loren

El Cid – filme de 1961. Pode ser visto no YouTube, em Espanhol.

Quem era El Cid

Rodrigo Diaz de Vivar era Filho de Diego Laínez (ou flaínez) e de uma das filhas de Rodrigo Alvarez, membro da alta nobreza castelhana, ficou órfão aos 15 anos de idade. Nesta ocasião foi levado para a corte do rei Fernando I de Leão, onde ficou muito amigo de Sancho, filho do Rei. Foi educado no monastério de San Pedro de Cardeña, onde estudou letras e leis.

Nasce um guerreiro: El Cid

Ao morrer em 1065, Fernando Magno de Leão (Fernando I) deixou como herança seu reino, para ser dividido entre seus filhos. Desta forma, a Galiza ficou para Garcia, Leão para Afonso, Toro para Elvira, Zamora para Urraca e Castela para Sancho, exatamente como estava previsto.

Mapa da Espanha no século XI

Mapa da Espanha no século XI

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No entanto, Sancho não concordou com a divisão e passou a lutar pela ampliação da sua parte na herança do pai. Contou com a ajuda de Rodrigo, que foi nomeado alferes do reino.

Rodrigo tinha 23 anos quando venceu Jimeno Garcés, alferes de Navarra, de maneira espetacular. Esta façanha lhe trouxe o apelido de “Campeador” (campeão), sendo então chamado de “Príncipe Rodrigo, el Campeador“.

Já no próximo ano, após muitas vitórias, começou a ser chamado de “sidi”, do árabe, que significava “meu senhor”. Desta palavra veio Cid, ou El Cid.

 A morte de Sancho

 

Pintura representando o Juramento de Santa Gadea, feito por Alfonso VI por exigência de El Cid Campeador.

Pintura representando o Juramento de Santa Gadea, feito por Alfonso VI por exigência de El Cid Campeador.

Após tomar as terras de alguns dos seus irmãos, Sancho resolveu atacar Zamora. Lá estabeleceu o cerco do castelo onde vivia Urraca. Nete cerco, Bellido Dolfos, agente de Alfonso, fingiu-se de desertor de Zamora e convenceu Sancho a segui-lo, na promessa de mostrar os pontos fracos da muralha do castelo. Foi aí que Sancho foi assassinado por Bellido Dolfos.

 

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Assim, como Sancho não tinha herdeiros, Alfonso VI tornou-se rei de Castela. Mas não antes de prestar o Juramento de Santa Gadea, em que ele eximia-se de qualquer envolvimento na morte do irmão. Este juramento foi exigencia de Rodrigo Diaz de Vivar, ou El Cid Campeador.

O exílio

Depois do coroamento de Alfonso VI, a relação entre ele e El Cid foi deteriorando-se cada vez mais.  E assim foi até que em 1081 El Cid foi banido pela primeira vez de Castela. Aí a história separa-se em duas versões.

A primeira, contada na “Canción de Mio Cid“, diz que El Cid foi Acompanhado por 300 dos melhores cavaleiros castelhanos e que fez de Zaragoza seu quartel general. Travou então muitas batalhas vitoriosas contra os mouros.

Já a segunda, menos encantadora, conta que ele se refugiou nas montanhas de Aragão, junto a um pequeno exército que conseguiu arregimentar. Prestava serviços a quem lhes pagasse mais, fosse cristão ou muçulmano. Esta versão também diz que pouco antes do exílio El Cid casou-se com Jimena, filha do Cornde de Oviedo, que, apesar de muito feia e mais velha do que ele, possuia vasto patrimônio.

O retorno e o segundo exílio

À frente de um enorme exército, o almorávida Yusuf cruzou o estreito de Gibraltar em 1089. Assim, a segurança  de todos os reinos espanhóis estava ameaçada. O rei Alfonso então mandou chamar Rodrigo, pedindo-lhe ajuda. El Cid Campeador retornou então a Castela, mas não passou muito tempo e a hostilidade entre ele e o Rei voltou a crescer e, pela segunda vez, El Cid foi banido.

O fortalecimento de El Cid Campeador

Selo espanhol em homenagem a El Cid

Selo espanhol em homenagem a El Cid

Nos dez anos seguintes ao seu banimento, liderou um grande exército e conquistou os reinos mouros de Lérida, Tortosa, Dénia, Albarracín e Alpuente, tornando-se senhor destes reinos. Por volta de 1093, atacou a taifa de Valência ao saber da morte de Al-Cádir. Após 19 meses de cerco conseguiu tomá-la.

No entanto os almorávidas não se deram por vencidos e sob a liderança de Mahammad, sobrinho de Yusuf, apresentaram-se às portas da cidade. El Cid então teve uma vitória decisiva após muitos combates. Isto que contribuiu para torna-lo objeto de diversas narrativas heroicas, porém muitas delas inverídicas.

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A morte de Rodrigo de Vivar

Valência foi governada por Rodrigo, em nome de Alfonso VII, até sua morte. Porém seu poder, na verdade era independente do rei. E Rodrigo ainda aumentou seu poder casando uma de suas filhas com nobres. Cristina (também conhecida como Elvira), com o príncipe Ramiro Sanchez de Pamplona, e Maria Rodriguez de Vivar com Raimundo Berengário III, o Conde de Barcelona.

Muitas das lendas enaltecem Rodrigo dizendo que ele morreu heroicamente em combate. Porém, El Cid Campeador faleceu em uma cama do seu castelo, em Valência, em de 10 de julho de 1099.

A lenda

Estátua de El Cid em Burgos

Estátua de El Cid Campeador em Burgos

Os mouros, ao saber da morte de El Cid, recuperaram a confiança e ergueram um cerco ao seu castelo. Foi aí que Jimena, mulher de Rodrigo, mandou amarrarem o corpo dele ao cavalo com a espada em sua mão. Isto segundo a lenda!

Os guerreiros, com seu líder morto à frente, foram para a batalha com o moral bastante elevado. Já os mouros entraram em pânico ao avistarem El Cid Campeador à frente do seu exército. Ficaram confusos e começaram a fugir. Foram então perseguidos e derrotados pelo exército de Rodrigo.

Tumba de El Cid e Jimena na Catedral de Burgos

Tumba de El Cid e Jimena na Catedral de Burgos

Daí vem a lenda de que Don Rodrigo de Castela – El Cid Campeador – venceu uma batalha depois de morto.

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Os restos mortais de Rodrigo e de sua esposa Jimena estão sepultados na Catedral de Burgos.

 

 

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