Caminho de Santiago: 2ª etapa – De Roncesvalles à Zubiri3 min read

Alguns guias do Caminho de Santiago consideram o trecho entre Roncesvalles e Zubiri como a segunda etapa do Caminho Francês. Esta etapa do talvez não fosse tão cansativa se não viesse logo após a travessia dos Pirineus. Para os que evitam a linda travessia dos Pirineus, optando pelo início em Roncesvalles, não é tão difícil como para os que vem de Saint-Jean-Pied-de-Port. Este segundo trecho é relativamente curto, com cerca de 20km. Não tem muita variação de altitude, exceto a descida dos últimos quatro quilômetros, porém há muito barro. Mas alguns governos locais passaram máquina para compactar a terra em algumas partes, além de cobrir as trilhas com brita fina para “ajudar” o peregrino. Realmente ficou mais fácil a caminhada, mas, na minha opinião, tirou um pouco do charme do caminho. Tornou-o mais turístico. O sobe e desce também é algo constante neste pedaço, sempre com muito verde enfeitando o trajeto.

Caminho de Santiago entre Roncesvalles e Burguete

Bosque entre Roncesvalles e Burguete

O Trajeto entre Roncesvalles e o Alto de Erro

Caminho de Santiago de Compostela - Espinal - Navarra

Entrada de Espinal, Navarra, no Caminho de Santiago.

Saindo de Roncesvalles, o peregrino caminha por um bosque ao lado da rodovia, por aproximadamente 3km até chegar em Burguette, uma simpática cidadezinha. No meu primeiro Caminho de Santiago aprendi, com uma austríaca, a tomar o café da manhã lá, em um café ao lado da igreja que fica no centro do pueblo. Até 2014 não existiam outros lugares que chamassem a atenção do peregrino antes deste ponto de parada, que ficava sempre cheio. Este ano, 2015, descobri um novo estabelecimento na entrada, e todos os peregrinos ficam por ali. Ou seja, o café do “centro” fica mais vazio e com lugar para sentar.

Caminhando mais cerca de 7km, chega-se a Espinal, outra cidadezinha simpática. Aliás, como todas desta parte da Navarra. Há um bar também, mas eu recomendo andar mais 4km e chegar até Bizkarreta para comer, pois estará praticamente na metade da etapa. Bizkarreta também tem um bar novo na entrada da cidade, e outro numa praça no “centro” do pueblo. Isso em abril de 2015, as coisas podem ter mudado.

Saindo de Bizkarreta, passa por Lintzoain 2km depois e, já na saída deste pueblo começa uma subida com desnível de uns 100 metros. Entre Lintzoain e Alto de Erro será uma caminhada de 4,5km, com altos e baixos, como toda esta etapa.

Alto de Erro, última parada antes de Zubiri

Caminho de Santiago, pouco antes de Zubiri

Último trecho antes de Zubiri

Alto de Erro é apenas um lugar que marca o ponto de início do trecho final. Não há uma cidade, nem casas, nem nada. Aliás, há normalmente um bar-furgão que vende algumas coisas (tinha Guaraná lá!). Recomendo descansar um pouco neste ponto.

Zubiri fica a pouco mais de 4km deste último ponto. Porém é uma descida bem forte, e geralmente com muito barro. O cuidado deve aumentar bastante, o peregrino precisa ter paciência. Muitos empolgam-se na descida e acabam machucando-se, pois é na descida que o joelho mais sofre. Portanto, vá devagar e sem pressa. Está quase chegando e certamente não vai querer comprometer todo o Caminho por causa alguns minutos a menos.

Finalmente Zubiri!

Chegando em Zubiri, vai cruzar o rio Arga, pela Puente de la Rabia. Aliás, para continuar o Caminho no outro dia vai ter fazer a travessia novamente.

Curiosidade: Zubiri significa “pueblo del puente” em Euskera (a língua do País Basco). Esta ponte é famosa porque dizem que as relíquias de Santa Quitéria estão enterradas embaixo do pilar central da ponte. Por este motivo, muitos viajavam de lugares muito distantes, mesmo antes do Caminho de Santiago, só para fazer seus animais darem três voltas neste pilar, pois dizia-se que assim os animais estariam livres da raiva. Santa Quitéria é a santa que proteje deste mal.

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4 Comments

  1. Monica Piragine 12 de agosto de 2016 Reply
    • Claudio Bittencourt Pacheco 12 de agosto de 2016 Reply
  2. Monica Piragine 11 de outubro de 2016 Reply
    • Claudio Bittencourt Pacheco 11 de outubro de 2016 Reply

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