Sou Peregrino, É Por Conta da Casa?3 min read

Comenta-se nos balcões dos bares ao redor da Catedral de Santiago de Compostela: no mais importante centro de peregrinação católica da Europa proliferam-se turistas dispostos a gastar somente o mínimo, não importando quão cheio esteja o seu bolso, chegando a acreditar, em alguns casos, que por serem mochileiros espirituais devem ser convidados, ou seja, os estabelecimentos devem oferecer tudo de graça. “Queremos que venham muitos visitantes, mas que gastem. Outro dia eu mesma vi um grupo que pedia um só prato combinado para três pessoas”, lamenta a dona de um estabelecimento.

Este “eu sou peregrino, é por conta da casa?” que os comerciantes ouvem com frequência é a expressão de um problema que acontece mais na capital da Galícia. “As ruas estão cheias, é verdade, mas de pessoas que não consomem. A maioria vem em excursão e no ônibus lhes dão um saco com um sanduíche”, diz Sara Santos, responsável de hospedagem da Associação de Hoteleiros de Santiago.

Os dados confirmam a queixa dos empresários. A despesa média dos turistas em Santiago de Compostela caiu em 2016 em comparação com 2015, de 53 para 51 euros, segundo o estudo da demanda turística de Santiago, realizado todo ano pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Turismo (Cetur) da Universidade Compostela. Este declínio no impacto econômico ocorre tanto com os visitantes que pernoitam na cidade como com aqueles que não o fazem.

Pesquisadores do Cetur citam várias possíveis razões para esta queda, além da crise econômica. Estas incluem o maior peso que tem os alojamentos baratos no turismo peregrino, como os albergues, ou ainda o fato da maioria dos visitantes virem de outras partes da Espanha.

Os hoteleiros pedem que sejam criados mais pontos de informação turística por onde passam os peregrinos, desde a entrada da cidade até a Praça do Obradoiro, pois acreditam que a origem do problema está em não disponibilizar informações suficientes sobre a ampla oferta cultural de Santiago de Compostela para estes visitantes. “Não é possível que em uma cidade como Santiago, procurada por um turismo respeitoso, cultural e gastronômico, a média de permanência seja de 1,5 noites”, diz Santos.

O número de pessoas que visitam a capital da Galícia não para de crescer. A evolução das consultas presenciais nos escritórios turísticos da cidade dão uma ideia da tendência. Neste ano já foram atendidos mais de 134.000 turistas, em comparação com 123.000 que tinham passado por estas janelas no mesmo período, em 2015. Há uma década, este número chegava a apenas a 111.000.

O ímã turístico que se tornou Santiago é comemorado em quase todo o mundo, mas tanto a Prefeitura como os hoteleiros alertam que já é hora de tomar medidas para assegurar que esta fonte de renda para a cidade seja sustentável e que não traga problemas enfrentados por outras cidades europeias, como Barcelona ou Veneza. “O turismo é um motor da cidade e temos que encontrar um modelo de qualidade que permita morar no centro histórico, e não o transforme em um parque temático”, disse há poucos dias o prefeito, Martiño Noriega.

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Tradução do artigo
Soy peregrino, ¿me invitas?
de SONIA VIZOSOS

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