27ª etapa – Villafranca del Bierzo a O Cebreiro

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Eu considero a etapa entre Villafranca del Bierzo e O Cebreiro como a segunda mais difícil de todo o Caminho de Santiago. São 28,9 quilômetros de subida quase constante, sendo os últimos 6 quilômetros os mais pesados.

Bem, os primeiros 22 quilômetros representam uma subida razoavelmente leve. A partir do km 14,2 teremos uma série de pueblos a uma curta distância um do outro. Isso ajuda um pouco, ao menos eu acho isso.

A estratégia para enfrentar esta etapa pode mudar de acordo com a sua necessidade. No meu primeiro Caminho não parei em Villafranca del Bierzo. Fui até Pereje, diminuindo um pouco o peso da etapa seguinte, até O Cebreiro.

Nas outras vezes eu subi até Las Herrerias e, no outro dia, fui até O Cebreiro. De Las Herrerias até O Cebreiro são pouco mais de 8 quilômetros, mas de subida bem forte. Eu sempre fiz questão de ficar no Cebreiro por uma noite, pois acho que este é um lugar especial. Porém, muita gente passa direto por este pueblo.

Adote a estratégia que acredite ser a melhor, mas não esqueça: chegando no Cebreiro, coma o queijo do Cebreiro com mel. Depois me conte o que achou! Mas atenção, já vi este queijo em outros lugares e não era tão bom como lá.

A foto mostra um prato com o queijo do Cebreiro e mel. No prato tem um garfo de sobremesa.
Queijo do Cebreiro com mel, uma delícia que merece ser provada. Mas prove no Cebreiro, se encontrar o queijo em outro lugar pode não ser tão bom.

Aproveite a paisagem e o verde, mesmo andando na estrada boa parte do dia. Planeje bem suas paradas e não esqueça de alimentar-se bem e tomar bastante água. E, principalmente, curta um pouco do Cebreiro, um lugar que considero mágico, além de lindo!

Villafranca del Bierzo a Pereje

Considerando a saída do albergue Ave Fenix, você vai atravessar a cidade de Villafranca del Bierzo até chegar na ponte que cruza o rio Burbia. A ponte fica praticamente no km 1, portanto pode usá-la como referência para as distâncias que citarei aqui.

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Logo depois da ponte vai ter uma saída à direita, um trajeto alternativo. Este trajeto já inicia em uma subida bem pesada e não passa por lugar algum. No entanto é mais bonito e longe da estrada. Ainda não segui por ele, então falaremos do mais comum.

Continuando pelo trajeto tradicional, pela rua em que você estava, logo vai perceber que ela se transforma numa estrada sem acostamento. Essa estrada faz uma curva enorme para contornar um grande morro. Sempre caminhe pelo lado esquerdo. Apesar do pouco movimento, ela pode ser muito perigosa.

Ao chegar no km 2,5 você encontrará a rodovia N-VI. Você atravessará a rodovia e caminhará sempre pelo lado esquerdo dela por boa parte do trajeto. É um caminho feito para os peregrinos. O asfalto é pintado de amarelo (estava quase sem tinta, se não arrumaram) e é separado da estrada por uma mureta de concreto.

Foto do espaço para os peregrinos andarem ao lado da rodovia depois de Villafranca del Bierzo. O chão é pintado de amarelo, apesar de desgastado pelo tempo.
O espaço dos peregrinos ao lado da estrada, com o chão pintado de amarelo. Nesta foto a pintura estava bastante desgastada, talvez tenham refeito.

Um detalhe interessante. O seu trajeto praticamente margeará o rio Valcarce até perto de Las Herrerias. Em várias oportunidades você verá o pequeno rio de água cristalina ao seu lado.

Essa rodovia também será sua companheira por muitos quilômetros, sendo que algumas vezes você se distanciará dela por alguns metros. É o que acontece no km 5,2, quando você atravessa a rodovia e caminha 400 metros por uma estradinha até chegar em Pereje, um pueblo tem um albergue, um hotel e um bar.

Pereje a Vega de Valcarce

Saindo de Pereje, no km 6, você atravessa novamente a rodovia para continuar no “espaço do peregrino”, ao lado da estrada. No km 7,7 tem uma área de descanso caso precise recuperar o fôlego. Ainda faltam 2,6 quilômetros para a próxima localidade.

Da mesma forma como ocorreu com Pereje, no km 8,6 você atravessará a rodovia e seguirá por uma estrada local até chegar a Trabadelo (km 10,3), um pueblo bem maior que o anterior.

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Talvez eu devesse falar que este pueblo é mais extenso que o anterior, pois, como Pereje, ele praticamente acompanha a rua principal, com poucas construções fora deste eixo. Em Trabadelo você vai encontrar um bar, logo na entrada, um mercado e vários albergues.

Portela de Valcarce e restaurante

Saindo de Trabadelo o caminho segue por uma pequena estrada, continuação da rua principal, até encontrar a rodovia N-VI novamente, no km 12. Seguirá ao seu lado e, no km 13,8, passará na frente de um posto de gasolina. Há um ótimo e grande restaurante ali, onde pode fazer um lanche ou mesmo almoçar. Mas cuidado ao atravessar essa rodovia, ela é bem movimentada!

A foto mostra a estrada principal e uma bifurcação para a esquerda, que entra em La Portela de Valcarce.
Entrada de La Portela de Valcarce.

Poucos metros para a frente e você chegará em La Portela de Valcarce, no km 14,2. Mais um daqueles pueblos que existem ao longo da rodovia, como a maioria dos que você vai passar neste dia.

Portela de Valcarce a Vega de Valcarce

Saindo de Portela de Valcarce você vai caminhar junto à rodovia novamente, até o km 14,8. Neste ponto pegará uma estrada menos movimentada, conhecida como antiga N-VI, e logo estará em Ambasmestas, no km 15,5.

Seguindo na mesma estrada, mal sairá de Ambasmestas e começará a ver as primeiras casas de Vega de Valcarce no km 16,2. Você precisa andar mais uns 700 metros para chegar ao “centro” desta localidade, no km 16,9. Vega de valcarce é o município que abrange vários dos pueblos da região.

Em Vega de Valcarce tem albergues, farmácia, supermercado (pequeno, mas tem), restaurantes e outros serviços. Esse é um bom lugar para ficar, definindo-o como final da etapa, caso seja sua opção.

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Até começar a subida mais pesada, esse é o último lugar com serviços que você vai encontrar. Nos próximos pueblos só vai encontrar bares e albergues.

Vega de Valcarce a O Cebreiro

Continuando pela antiga N-VI você caminhará até o km 18,8, onde as rodovias se encontram novamente, e estará de novo na “nova” N-VI. Cerca de 200 metros depois estará em Ruitelán, penúltimo pueblo antes da subida forte.

Cerca de 1 quilômetro mais para a frente passará pelo hotel Paraíso del Bierzo. No km 20,2 encontrará a Casa Rural El Capricho de Josana, onde tem um bar muito bom para tomar um café e pegar mais fôlego para a parte final. Você estará na entrada de Las Herrerias, que fica no km 20,5.

A foto mostra uma rua com algumas casa à esquerda, pasto à direita, céu com núvens bem escuras, indicando chuva. Este lugar é Hospital, uma espécie de bairro de Las Herrerias.
Hospital, pouco depois de Las Herrerias e pouco antes do início da subida.

Aproximadamente 1 km depois de Las Herrerias estará em um pequeno bairro chamado Hospital. Chegando ao fim deste lugarejo você passará por uma ponte no km 21,5. A partir deste ponto começa uma subida mais forte, ainda no asfalto. Neste trecho não há acostamento, cuidado.

A foto mostra a estrada principal, à direita, e o início da trilha que os peregrinos a pé devem seguir, à esquerda.
Neste ponto os peregrinos que vão a pé devem seguir pela trilha, esta saída à esquerda.

Será um quilômetro de subida até o km 22,5, onde você finalmente deixará o asfalto. Os ciclistas, porém, devem continuar pelo asfalto. No começo da trilha será uma discreta descida, por cerca de 200 metros. Mas depois… prepare-se! Você irá da altitude de 764 metros a 1291 metros em apenas 6 quilômetros. E os primeiros quilômetros serão os mais íngremes!

A foto mostra o caminho cheio de barro e algumas poças de água. Este é o trecho que fica pouco antes de La Faba.
Trecho pouco antes de La Faba com muito barro, difícil de andar.

Depois de andar pouco mais de 1 quilômetro você chegará em La Faba, no km 24. Um lugar que tem albergue e bar para comer ou beber algo, caso já esteja cansado da forte subida. Mas atenção, tem mais pela frente! Talvez, se ainda tiver fôlego, seja uma boa ideia seguir em frente. Ou então fazer duas paradas mesmo, a subida é bem cansativa.

A foto mostra uma subida bem íngreme,  de terra e com muitas pedras grandes. Quase na parte de cima há um peregrino subindo. Este trecho tem muitas árvores e mato em volta do caminho.
A subida é uma constante nestes últimos trechos até O Cebreiro.

La Faba a La Laguna

Mais 2,3 quilômetros de subida pela frente. Não bastasse a subida, se tiver chovido todo este trecho, desde Las Herrerias, terá muito barro. É um pedaço bem cansativo mesmo. La Laguna é um bom ponto de parada para recuperar as energias para os últimos quilômetros.

Nesta foto mostra a subida um pouco menos íngreme e as primeiras casas de La Laguna ao fundo. O chão está cheio de lama e a terra é bem clara. As núvens estão bem escuras, indicando possibilidade de chuva.
O barro pode ser um grande vilão se tiver chovido. Este trecho fica pouco antes de La Laguna. As primeiras casas podem ser avistadas na parte de cima da foto.

Para não ser diferente, a entrada de laguna será a continuação da subida, porém em concreto. Não sei se neste momento isso será uma coisa boa ou ruim, depende da quantidade de barro que tiver encontrado no trajeto.

La Laguna tem um bar inaugurado há poucos anos. Como já falei, nada impede que você faça duas pequenas paradas, uma em La Faba e outra em La Laguna. Acredite, não seria má ideia.

La Laguna a O Cebreiro

Enfim o último trecho! Tenha certeza que estes poucos quilômetros de subida vão sugar mais energia do que os primeiros 20. Mas é só ir devagar, caminhando tranquilamente e aproveitando a linda paisagem que tudo dará certo.

A subida continua, pouco menos forte, mas ainda forte. Perto do km 24,7 você vai encontrar um marco de concreto bem grande, indicando que você está entrando na Comunidade Autônoma da Galiza (Galícia), última região do Caminho de Santiago. Mais especificamente, você está entrando na província de Lugo.

Foto do marco de cimento indicando que o peregrino entrou na Comunidade Autônoma da Galiza.
Marco indicando que você entrou na Galiza (ou Galícia).

Depois desse marco faltará pouco mais de um quilômetro para você chegar. Saiba que este será o último quilômetro de subida. No km 28,5 você encontrará o asfalto novamente e, 100 metros depois, entrará à direita, já avistando a Igreja de Santa Maria A Real do Cebreiro.

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Se você decidir ficar no albergue, saiba que ele está localizado no fim desse lindo pueblo, ou seja, será uma descida constante até lá, 200 metros depois da igreja.

O Cebreiro

O Cebreiro eu considero um lugar especial. A arquitetura diferente de todos os lugares que passou, o ambiente, a localização, tudo é muito mágico. Aproveite seus momentos nesse lugar.

Não deixe de assistir à missa (informe-se sobre o horário) e também, como já foi dito, prove o queijo do Cebreiro com mel assim que tiver uma oportunidade. Às vezes os restaurantes oferecem queijo com membrillo (marmelada), pergunte se não poderia ser com mel, combina mais.

Foto de uma construção de pedra, hoje um hotel, que fica na entrada do Cebreiro. É possível ver algumas árvores quase sem folhas. É possível ver que há muita neblina.
Foto do Cebreiro. Dependendo da época é comum ter muita neblina, o que lhe confere um ar especial. Quando o tempo está limpo, a paisagem é magnífica.

Por já estar na galícia, pode aproveitar para provar os licores de ervas, café e creme, feitos com orujo, agardente feito à partir das cascas da uva.

É importante que você saiba que dependendo da época do ano é difícil achar lugar no albergue. Há peregrinos que reclamam que ele é muito “apertado”. Não posso opinar, afinal, desde a primeira vez que fiquei neste pueblo não dormi no albergue por ele estar lotado.

Eu prefiro, exclusivamente neste lugar, ficar em um quarto privado, podendo desfrutar mais do lugar, além de reservar e garantir minha cama. Mas mesmo reservando antes, é bom ligar durante o dia e confirmar, pois você pode demorar mais que o esperado e acabar perdendo a reserva.

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Um lugar que gosto de ficar é o Mesón Antón. Outro, se não tiver lugar neste outro, é o Hotel O Cebreiro, que também possui restaurante e lojinha de souvenir galego.

Outra coisa: na Galiza você pode falar português pois o idioma galego é bem parecido. Muitos galegos me disseram que preferem que os brasileiros falem português.

Seja qual for a sua opção de hospedagem, aproveite bastante e prepare-se para o dia seguinte, pois as subidas ainda não acabaram.

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