Caminho de Santiago: 9ª Etapa – Nájera a Santo Domingo de la Calzada

Neste dia aconselho sair bem cedo mais uma vez. Cedo mesmo, muito cedo! Não por ser uma etapa cansativa, pois não é tanto assim. Os motivos agora são outros. Primeiramente que saindo cedo você vai ter a oportunidade de ver um lindo nascer do sol (se o tempo colaborar). O outro motivo é que você está indo para Santo Domingo de la Calzada. Nesta cidade você vai ter muita coisa para fazer, como visitar a igreja e o seu museu, ir à missa e, quem sabe, subir na torre se tiver disposição. Ou então ir até Grañon, cerca de 7km para a frente (vou falar sobre isto no artigo da próxima etapa).

Sol nascendo no Caminho de Santiago, pouco depois de Nájera. É possível ver alguns peregrinos caminhando no chão de terra batida.

O sol nascendo na saída de Nájera é muito bonito. Vale a pena parar um pouquinho para apreciar.

O albergue Casa de la Cofradía del Santo é bem grande e é um dos melhores do Caminho de Santiago de Compostela. Conta com uma boa cozinha com utensílios, mesas bem grandes, muitos sofás bem confortáveis para o peregrino se esbaldar. E até wi-fi, para os que precisam mandar um oi para a família ou consultar algo sobre a próxima etapa. Os banheiros são excelentes e tem secador para as mulheres, que funcionam com moedas. Poderá aproveitar para fazer amizades, vai ter muitas oportunidades neste albergue.

Se você não gosta de albergues grandes e privados, com muita gente e está precisando de algo mais “peregrino”, tem o outro albergue, o Albergue de la Abadía Cisterciense Nuestra Sra. de la Anunciación. Não o conheço, mas quem ficou lá também gostou. Pode também andar um pouco mais (se as pernas permitirem) e ir até Grañon, o próximo pueblo, mas isto é assunto para outro artigo.

Diversos sofás na área de descanso do albergue de Santo Domingo de la Calzada

Área de descanso do albergue de Santo Domingo de la Calzada

O Trajeto entre Nájera e Azofra

A saída de Nájera é uma subida. Cerca de 1,1 quilômetro para subir 65 metros. Por um bom pedaço, se você olhar para trás poderá ver Nájera ficando lá embaixo. Quando chegar ao topo do aclive você vai descer e subir novamente para a mesma altitude em 2 quilômetros. Mas antes, se você saiu bem cedo como sugeri, o sol vai estar nascendo. Olhe para trás e veja que belo espetáculo! Aliás, não só neste ponto como também mais para a frente, sempre de uma olhada para ver o sol nascendo e, se puder, pare uns minutinhos para assistir.

Depois deste ponto não há grandes variações de altitude até Azofra. Serão 5,6 quilômetros até este pueblo. O próximo, 9 quilômetros depois, será Cirueña. Portanto, se quiser usar algum serviço, como bar, é agora! Banheiro, nem pensar até Cirueña (entendeu a dica?)!

E, antes que eu esqueça: em Azofra tem um excelente albergue, pelo que me falaram alguns peregrinos que pernoitaram aí. Caso não queira parar em Nájera no dia anterior, pode esticar até este pueblo que tem boa estrutura para receber os peregrinos.

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De Azofra a Cirueña

Se o tempo estiver seco e se não choveu nos dias anteriores, estes 9 quilômetros serão sem grandes dificuldades. Mas se choveu…   se prepare. Se nada mudou, o trecho passa por um caminho de barro. Mas o barro é daqueles que afunda o pé e prende a bota, não uma camadinha que só suja! Serão cerca de 3 quilômetros assim. Estavam construindo a estrada ao lado do Caminho, várias máquinas passavam por ali e mexiam a terra, acredito que por isso ficou deste jeito. Espero que tenham melhorado um pouco o piso, passando um compressor, por exemplo.

Eu deitado na espreguiçadeira de concreto que fica no merendero próximo à Cirueña.

“Merendero” perto de Cirueña, com espreguiçadeiras de concreto e fonte de água fresca. Fica depois de uma grande subida.

A saída de Azofra é uma subida também, mas nada muito preocupante. Depois mais 500m para descer tudo o que você acabou de subir. A descida é bem mais inclinada, mas nada de assustar e serão só 550 metros. É aí que começa o pedaço de barro que falei. Não se desespere, muita coisa pode ter mudado desde a última vez que passei por aí (e eu acredito que isto tenha acontecido). Bem, continuando…   no km 12,2 vai ter uma subida mais pesadinha, por 1 quilômetro. Ela acaba em um merendero, onde tem uma fonte e algumas espreguiçadeiras feitas de concreto. Se estiver carregando seu almoço/lanche, é aí mesmo que deve parar. Ah! Foi aí que vi uma placa de aviso que considero uma das mais divertidas do Caminho! Se ela existe ainda está fixada à cerca do terreno que fica atrás.

Complexo residencial pouco depois do clube de golfe, chegando em Cirueña.

Complexo residencial pouco depois do clube de golfe, chegando em Cirueña.

Depois desta pausa, você vai andar uns 700 metros e vai passar pelo clube de golf. Estará em um complexo residencial grudado a Cirueña. Já no km 15 passará por Cirueña. Detalhe: você passa raspando por Cirueña, não chega a entrar neste pueblo. Se estiver precisando de algum serviço, o pueblo estará a poucos metros.

De Cirueña a Santo Domingo de la Calzada

Passando por Cirueña você vai andar pouco mais de 2 quilômetros, com alguns pequenos morros.

Linda vista das últimas subidas antes de Santo Domingo de la Calzada, passando pelos campos cultivados.

As últimas subidas antes de Santo Domingo de la Calzada.

Neste trecho poderá fazer belas fotos ao passar pelas plantações. Passando estes 2 quilômetros, terá subido o último morro e, lá de cima, poderá avistar Santo Domingo de la Calzada e identificar a torre da igreja. Faltam cerca de 4 quilômetros, sendo metade descida do morro e o resto um terreno plano (subida imperceptível). Na entrada da cidade você passará por alguns galpões e armazéns. Depois caminhará por uma avenida e logo estará na parte antiga. O albergue municipal fica ao lado direito da Calle Mayor, o paroquial fica um pouco antes, do lado esquerdo.

 

Vista de Santo Domingo de la Calzada, ao fundo, na última grande descida.

Quase chegando em Santo Domingo de la Calzada já é possível ver a cidade.

 

Se tiver tempo passeie um pouco pela cidade e conheça os lugares que falei no início do artigo. Não esqueça de prestar atenção, quando estiver na igreja, para ver se o galo canta! Leia meu artigo sobre a lenda do galo e da galinha que cantaram depois de mortos, caso ainda não tenha lido, para entender do que se trata. 🙂

 

Buen Camino!

 

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6 Comments

  1. Márcia 4 de janeiro de 2017 Reply
    • Claudio Bittencourt Pacheco 4 de janeiro de 2017 Reply
  2. Laudelino Bitencount 16 de janeiro de 2017 Reply
    • Claudio Bittencourt Pacheco 16 de janeiro de 2017 Reply
  3. Adriane Tressoldi 8 de abril de 2018 Reply

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